Ele ainda estava lá fora, bem sabia. No quarto, revistas, livros e sonhos empilhados, a breve esperança de conseguir se distrair das próprias expectativas, sua imagem a distrair das letras, das cenas e das memórias que desaparecem continuamente...
Observava meus próprios sonhos empilhados em algum canto do quarto, sem saber quando seria capaz de assumir qualquer um, no fundo gostaria que decidissem por mim, e assim não precisaria mais pensar em iniciar um projeto, sei que se fosse amada, minha vida estaria decidida e eu aceitaria esse destino crédula de que seria feliz, assim como assisto acontecer com outras pessoas sempre e sinto uma pontada de inveja...
Eu simplesmente não saberia o que fazer com o resto dos meus dias...
Começou a chover e quero ver isso... imagino o que estará fazendo sob esse mesmo céu, sabendo que no fundo, não importa o quanto eu corra, nunca vou escapar dessa realidade desesperadora e impiedosa que sou eu.
Quando abrir os olhos pra última instância, o quarto abafado, o último local sagrado que supostamente deveria me acolher e no entanto... e no entanto, saber que acordar nunca é e nem será suficiente. Ainda poderei ouvir o eco dos passos atrás de mim.
Quando sonhar se tornou tão assustador?
Coisas que só acontecem com a Tata - Idade e Filhos
5 dias atrás
